A DISTOPIA DO INDIVIDUALISMO
- Felipe Marques

- 26 de mar.
- 3 min de leitura
QUANDO O OBJETIVISMO TE MOVE, QUANTAS CABEÇAS VOCÊ USARIA COMO DEGRAU?
Belém, 26 de março de 2026
Autor da Resenha: Felipe Marques - @v0id419
Revisora Textual: Amanda Murta - @amandamurta_

“Eu sou Andrew Ryan e estou aqui para lhe fazer uma pergunta.
Um homem não tem direito ao suor do seu rosto?
‘Não!’, diz o homem em Washington, ‘Pertence aos pobres.’
‘Não!’, diz o homem no Vaticano, ‘Pertence a Deus.’
‘Não!’, diz o homem em Moscou, ‘Pertence a todos.’
Rejeitei essas respostas; em vez disso, escolhi algo diferente.
Escolhi o impossível. Escolhi... Rapture.
Uma cidade onde o artista não temerá a censura.
Onde o cientista não estará preso a moralidades mesquinhas.
Onde os grandes não serão limitados pelos pequenos!
E com o suor do seu rosto, Rapture também pode se tornar a sua cidade.”

Esse é o discurso inicial de Andrew Ryan, no jogo Bioshock. Esse discurso ilustra bem o conceito do individualismo, no qual a cidade de Rapture se baseia: a cidade sem reis ou deuses, apenas o homem importa; a cidade criada pela ambição de um único homem. Rapture é uma cidade retrofuturista; uma boa mistura de dois subgêneros de distopias: o Deco Punk, subgênero retrofuturista do Dieselpunk (baseado nos estilos artísticos Art Déco e Streamline Moderne, dos anos 1910-1940, que se caracteriza por visuais polidos, brilhantes e luxuosos; com cromo, tecnologia avançada e estética urbana elegante, diferenciando-se do Dieselpunk mais sujo e industrial), e o Tesla Punk (o subgênero que se baseia em um futuro especulativo baseado nas criações do inventor Nikola Tesla).
Mas até aí você pode se perguntar “onde entra a parte da distopia?”. Bom, em uma cidade onde o foco é crescer não importa como; onde o artista não teme a censura (no jogo você ajuda Sander Cohen um artista que usava pessoas para criar suas obras); um lugar que acha aceitável usar garotinhas geneticamente alteradas para recolher soro de cadáveres; onde a ambição é o que manda; onde o objetivismo alcançou seu auge, aí está a distopia.
Identifcado por Ayn Rand,
“o Objetivismo afirma que a realidade existe independentemente da consciência, que o ser humano tem contato direto com a realidade através dos sentidos, que pode ter conhecimento objetivo pelo processo de formação de conceitos, da lógica dedutiva e indutiva, que o objetivo moral da vida humana é atingir a própria felicidade ou interesse racional, que o único sistema social consistente com esta moralidade é um que respeite os direitos do seres humanos à vida, liberdade, propriedade e busca à felicidade, ou seja, capitalismo laissez-faire, e que a função da arte é transformar as ideias metafísicas mais abstratas, reproduzindo seletivamente a realidade, em forma física.” (fonte: Wikipedia).

Então, em uma sociedade na qual seu ego te governa, não seria difícil imaginar que cabeças se tornam degraus e que o indivíduo se torna deus. Mesmo a cidade tendo um lema que não permite reis ou deuses, apenas o humano, sua vontade e ambição movem tudo, sua sede infinita é o que te regula.
Entenda, o jogo Bioshock não te põe na pele de um ser humano assim, mas não te impede de se tornar um. Você tem a escolha de aceitar isso ou lutar contra, afinal, você é um estranho para aquela cidade e apenas alguém da superfície, que por um acaso do “destino” acaba no meio da guerra entre dois homens pelo controle dessa cidade submersa, no meio do conflito entre um oportunista e um tirano com uma cidade cercada de viciados geneticamente modificados. Isso é Bioshock, um lugar que parece sem saída, mas, com o suor de sua testa, essa cidade também pode ser sua...



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