HOTLINE MIAMI
- Felipe Marques

- 11 de jun.
- 2 min de leitura
Não importa o que você faça sozinho, o mundo vai acabar
Belém, 11 de junho de 2026
Autor da Resenha: Felipe Marques - @v0id419
Revisora Textual: Amanda Murta - @amandamurta_

Não importa o que você faça, sua história e só um momento.
Em Hotline Miami o que é apresentado na superfície é apenas violência: mate todo mundo e vá para próxima missão. Próximo capítulo: seja violento e ganhe pontos. Mas você já se perguntou se esse jogo tem história?
Sim, ele tem.
A violência e só uma camada do jogo. Em um breve resumo, a Guerra Fria não foi fria, houve um confronto que resultou em uma explosão nuclear. Tendo isso em vista, uma coalizão foi formada entre a União Soviética e os Estragos Unidos, formando uma paz breve. Entretanto, um grupo nacionalista conhecido como 50 bençãos (fifty blessings) começou ataques a um braço da máfia russa que se instalou nos Estragos Unidos, tentando reaquecer a guerra. No jogo você é Jacket, um ex-membro do exército que lutou a guerra do Havaí, um dos conflitos que culminou no ataque nuclear, mas uma dúvida que surge é: por que não importa o que façamos nossa história continua a mesma?

Vamos lá, só lembrando que estou falando tanto de Hotline Miami 1 quanto do 2, pois é uma história única contada nos dois jogos, vista de pontos de vista diferentes de pessoas que movem a história ou de alguém querendo catalogá-la. Mas não importa, lutando contra ou a favor, as bombas caem e o fim acontece. Trágico, mas o fim não importa, o que foi jogado até agora, a decisão do fim já estava tomada por alguém que tomou o radicalismo para si. E, no fim as 50 bençãos vencem e o mundo cai em guerra.
Meio que te faz pensar, será que tudo que eu faço no fim não vale de nada, pois quem tem o poder de acabar com mundo são velhos que estão perto da morte e não vão ver as consequências de seus estragos? Sim, é meio pessimista pensar que nessa quadra da história estamos caminhando para o fim a passos largos. Tal qual em Hotline Miami, onde todos os protagonistas morrem com a queda das bombas nucleares, as nossas bombas matam mais lento. Não nos apagam, como um filme queimado, mas nos apodrecem dia após dia. É triste pensar que, individualmente, somos apenas números de pessoas físicas; mas tal qual números, quanto mais estivermos organizados, maiores seremos.
Pense que sozinho você não é nada, só alguém lutando contra moinhos de vento, mas juntos podemos vencer. Mesmo que pareça uma mensagem final do He-Man, essa é a verdade: se organizar é a única saída para combater os velhos decrépitos que controlam o mundo, que está cada vez mais se tornando a distopia que escritores imaginavam nos anos 1970. Como já disse, sozinho você não vai mudar nada. A distopia se tornando cada vez mais real e você aplaudindo, enquanto os números e os efeitos explodem na tela. Pois é, é mais tranquilo achar que nada pode ser feito porque não importa o que você faça, o mundo ainda vai acabar…



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