DEATH STRANDING
- César Modesto

- 5 de mar.
- 3 min de leitura
QUANDO NÃO SE IMPORTAR NÃO É OPÇÃO
Autor: César Modesto - @cesar_mod
Revisão de Texto: Amanda Murta - @amandamurta_
Personagens valentes, corajosos ou até mesmo sem a menor noção do perigo existem aos montes, afinal, todos gostam de ver o caminhar das escolhas e consequências dessas histórias, sejam elas mais voltadas para a ação ou então bem mais psicológicas e sentimentais. Mas e quando elas são sobre só fazer seu trabalho sem tentar se envolver? Quando não se importar não é mais uma opção, como em Death Stranding?
Um pouco de contexto ao mundo caótico e viajado de Hideo Kojima: é um ambiente no qual após um incidente chamado Death Stranding, que dá nome ao jogo, fica impossível viver normalmente, principalmente no sentindo em se “descolar”, tendo em vista que você poder ser morto tanto pela chuva temporal, quanto pelas criaturas que andam por aí. Então, ser entregador virou um trabalho de alto risco e de valor moral, pois as pessoas vivem em bunkers de cidades ou em seus próprios.

Sam Potter, apenas mais um trabalhador nesse mundo, que não se vê como alguém único, como um novo herói ou algo do tipo, faz apenas o seu trabalho. Entrega feita? Pronto e bora para outra. Essa linha é o que torna ele curioso, pois ele é alguém mecânico, a interação é o suficiente para seu trabalho e nada mais... até um acidente no qual um parceiro, antes de morrer, entrega o BB a ele (um BB é literalmente uma bebê, que é apenas uma ferramenta para detectar monstros e não é um ser feito para crescer e cuidar. Esquisito? Sim, isso veio do Kojima).
Após esses eventos, Sam honra o parceiro caído e consegue dar um final digno a ele. Um sentimento estranho vem até ele quando vê o corpo sendo cremado, mas a tristeza é momentânea, pois ele tem que voltar ao trabalho.

A cada pessoa ajudada, Sam é reconhecido e presenteado, não como um favor, mas porque essas pessoas são gratas a ele. Isso evolui, o Entregador vai começando a guardar essas pessoas em suas memórias, e tendo um certo carinho por elas. Por mais que ele sofra de afefobia (medo ou repulsa a toque físico), ele vai construindo os laços com os outros do seu jeito sem nem perceber, pouco a pouco se aproximando, e o BB vai deixando de ser a ferramenta para qual foi criado e começa a ser algo mais próximo dele.
O que antes era impossível de se pensar, agora tornou-se real: Sam Potter, com sua missão de conectar o mundo, não percebeu, mas sentiu que isso mudou sua mente. Esses laços dão a estabilidade que ele precisava depois de ficar tanto tempo andando com alto risco de não voltar. É justo que, depois de tanto tempo assim, ele finalmente pense que exista gente esperando-o voltar para elas, de forma recíproca. Cada passo se tornou a esperança de cada um que depositou sua fé nele e acreditou na conexão do mundo.

Sam Potter mostra que, mesmo o mundo forçando sua mente a ser mecânica e instável, pois qualquer coisa pode acabar com você, ainda é possível encontrar razão para voltar e andar de novo. Seus laços vão deixar você firme, nem que seja apenas um, aquele laço pelo qual você queira um futuro melhor.
Jogo Death Stranding, roteirizado e dirigido por Hideo Kojima.
"O Amanhã está em suas mãos".



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