Meu livro favorito é uma merda
- Felipe Marques

- 26 de fev.
- 3 min de leitura
Belém, 26 de fevereiro de 2026
Autor da Resenha: Felipe Marques - @v0id419
Revisora Textual: Amanda Murta - @amandamurta_

Se querem mesmo saber, vou falar da porcaria do meu livro favorito sem toda aquela lenga-lenga, tipo David Copperfield. Talvez você não tenha lido e não leia, é uma perda de tempo dos anos 1950.
O Apanhador no Campo de Centeio é um livro que narra o fim de semana de um adolescente por Nova Iorque vivendo suas aventuras e se dando mal no fim. É um livro que já foi controverso, mas hoje em dia é só mais um livro; seu linguajar já foi ofensivo, mas nos dias de hoje, qualquer um fala merda - alguns até demais. Então você se pergunta, por que é meu livro favorito mesmo sendo ruim?
Para responder a isso temos que voltar no tempo, para o início dos anos 2000, enquanto meus amigos liam mangá e eu estava alugando esse livro todo fim de semana da biblioteca da escola, lendo e relendo essa história, pensando nas possíveis aventuras que eu, quem sabe um dia, iria viver. Spoiler: eu vivi, mas isso não é para esse texto.
Eu, na época, era imaturo e não via o quanto essa história é uma merda apesar de ainda ser meu livro favorito. Sinto-me no dever de dizer que não é uma boa história, é só um moleque que odeia tudo, tem ressentimento do mundo por não terem dado a ele o devido valor ou qualquer coisa que o valha; um moleque que tem tudo e se recusa a crescer e inclusive gostaria de impedir outras pessoas de fazer o mesmo. Holden Caulfield não é exemplo para ninguém.
De certa forma, o autor J.D Salinger desabafou todo seu ódio pelo mundo nesse personagem que odeia cinema, pessoas mais fortes ou qualquer uma que, na opinião dele, tire vantagem de algo. Apesar de odiar tudo, não detesta sua irmãzinha, Phoebe e não detesta seu irmão, D.B, apesar de não concordar com suas escolhas de carreira, pois seu irmão mais velho virou roteirista de cinema, mas como já foi dito, Holden odeia cinema. Às vezes sinto que Holden se odeia e projeta suas próprias frustrações em coisas como cinema, escola, dentre outras. O seu ódio é até direcionado às mulheres. Enfim, ele seria o que hoje classificamos como incel e não, não tô exagerando.

Se por acaso você ficou curioso para ler, não leia. Vá atrás do episódio de South Park sobre o livro (O conto de Scrotus McMelecas). Ele é melhor do que a leitura, acredite, pois o livro é vendido como subversivo, proibido e os moleques de South Park o devoram e não encontram nada demais, até porque não tem. Ele seria rebelde para um adolescente dos anos 50, mas hoje em dia é só sobre um moleque mimado que fala palavrão e fuma demais.
Os moleques então escrevem um livro, que é o conto do Scrotus McMelecas: um livro pesado, que as pessoas interpretam errado, como um ápice da inteligência, mas não é, é apenas os moleques sendo escrotos a níveis astronômicos. Isso me lembra que tem gente que lê “O Apanhador no Campo de Centeio” e acha extremamente inteligente, mas, como já falei, não há metáforas, é só um adolescente mimado.
Muito do que eu era quando adolescente.
Sério, mesmo. Eu pensava que o mundo era injusto quando no fim era mesmo, mas não apenas comigo e sim com todos. A visão de mundo de um adolescente é uma merda, pensamos que tudo e sobre nós, mas não é. Os nossos hormônios falam mais alto, gritam e acabamos achando que nada é culpa nossa, mas sim que a culpa é do mundo.

Mas vamos voltar a falar do livro. Enquanto eu escrevo esse texto, acabo relendo passagens e me lembrando cada vez mais do porquê esse livro não deve ser lido, apesar de curto. Não o recomendo, por mais clássico que seja, fique no episódio de South Park e na participação do J.D Salinger na série Bojack Horseman pois, ele sendo alguém que odeia cinema é no mínimo uma boa piada participar dessa série (apesar de já ter morrido).
Enfim espero que tenham gostado do texto, eu poderia contar mais sobre o livro, mas seria mais cansativo que o ler ou qualquer coisa que o valha…
Comentários